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23/08/2010 - Fundos imobiliários ganham liderança do mercado

Aproximação entre categorias era tendência já com vários meses, com a perda de terreno dos fundos mobiliários.

O mês de Julho trouxe uma nova ordem nas duas grandes categorias de fundos de investimento tradicionais: os imobiliários ultrapassaram os mobiliários harmonizados no valor sob gestão, no culminar de uma tendência de aproximação que já se verificava há alguns meses.

Dados da CMVM mostram que, no mês passado, os fundos tradicionais de imóveis geriam 9.813,20 milhões de euros, enquanto o montante sob gestão nos fundos mobiliários harmonizados foi de 9.634,40 milhões - uma diferença de quase 180 milhões de euros, ou 2%.

Fora das contas ficaram os fundos especiais de investimento (FEI) - e, no caso dos imobiliários, também os fundos de gestão de património. Porque a evolução dos FEI, juntamente com a conjuntura económica e nos mercados, é parte da explicação para esta aproximação nos montantes geridos.

Ao Diário Económico, o departamento comercial da ESAF referiu que os FEI, assim como os fundos de garantia de capital, são as classes de mobiliários "que maior interesse têm gerado junto dos clientes". E, acrescenta, "tem havido muita circulação de volume dos chamados fundos tradicionais para as referidas classes, pelo que os resgates muitas vezes não são mais do que realocações de investimento".

Analisando o valor sob gestão e o número de fundos mobiliários ao longo dos anos, é evidente o "terreno" que os FEI têm conquistado aos fundos tradicionais, o que justifica parte da quebra no valor sob gestão dos harmonizados e a consequente aproximação dos imobiliários.

Na conjuntura económica e dos mercados encontram-se mais algumas justificações. "No seguimento da mais recente crise financeira sentiu-se, e continua a sentir-se, um forte clima de aversão ao risco, espelhado no tipo de aplicações privilegiadas pelos investidores", refere a CGD, em resposta ao Diário Económico.

Esta aversão ao risco, salienta, "conjugada com a actual conjuntura de taxas de juro, levaram a que os fundos de investimento imobiliário nacionais se revelassem uma alternativa de investimento atractiva a médio/longo prazo, quer pela resiliência que demonstraram à crise (excluindo a componente habitacional), quer pela reduzida volatilidade evidenciada e pelas rendibilidades históricas que estes produtos apresentam".

Já nos mercados financeiros, a volatilidade verificada nos últimos meses tem levado a um "volume considerável de resgates" nos fundos mobiliários, refere o departamento comercial da ESAF. Esse, salienta, "é o factor principal que levou a que os activos sob gestão dos fundos imobiliários tenham aproximado os volumes dos fundos mobiliários".

Por oposição, "em termos relativos, é verdade que se verifica maior estabilidade no mercado imobiliário face aos mercados financeiros", refere a ESAF. Além de que se verifica "também a existência de oportunidades vantajosas ao nível do imobiliário, o que pode fazer crescer o interesse por este tipo de activo", acrescenta.

Olhando para os próximos meses, é difícil prever se esta tendência se manterá. Os fundos mobiliários, como refere o departamento comercial da ESAF, dependem muito do ambiente dos mercados financeiros. E há ainda um sentimento e incerteza face ao que serão os próximos tempos.

"Num cenário de estabilização dos mercados, certamente os volumes dessas classes também aumentarão", sublinha. Quanto aos imobiliários, a manutenção da tendência "dependerá da atractividade relativa entre estes fundos e aplicações alternativas, como os fundos de investimento mobiliários ou os depósitos bancários", refere a CGD, que tem no seu universo o fundo com maior valor sob gestão do mercado.

Aliás, nota a ESAF, "a generalidade dos bancos tem procurado a colocação de depósitos e não tanto a de fundos de investimento", o que "também penalizou a evolução dos volumes geridos pelos FIM".

Fonte: sapo.pt

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