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11/06/2010 - Inflação do aluguel tem maior alta para uma 1ª prévia desde dezembro de 2002

Preço do minério aumenta 75% e IGP-M acelera para 2,21% na 1ª medição de junho, ante avanço de 0,47% no mês passado

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acelerou para 2,21% na primeira prévia de junho, ante alta de 0,47% em igual prévia do mesmo índice no mês passado, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O aumento de 2,21% foi o mais intenso, para uma primeira prévia, desde dezembro de 2002, quando a prévia do indicador subiu 2,61%.

A taxa anunciada nesta sexta-feira, 11, ficou bem acima do teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam uma elevação entre 0,63% e 1,90%, com mediana das expectativas em 0,96%. Até a primeira prévia de junho, o índice acumula aumentos de 7,11% no ano e de 6,59% em 12 meses.

A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem a primeira prévia do IGP-M de junho. O Índice de Preços por Atacado (IPA) acelerou para 3,14% na primeira prévia do índice este mês, ante alta de 0,49% na primeira prévia de maio. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou deflação de 0,26% ante inflação de 0,41% na primeira prévia do mês passado. Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) teve elevação de 2,18% na primeira prévia deste mês, após registrar aumento de 0,55% na primeira prévia de maio.

A partir dos dados da série histórica, é possível perceber que o IPA-M, que teve alta de 3,14% em sua primeira prévia de junho, foi mais além e registrou a maior taxa para este índice, dentro de uma primeira prévia, desde julho de 1996, quando o IPA-M subiu 7,00%.

Por sua vez, o IPC-M, que assumiu trajetória oposta às do IGP-M e do IPA e caiu 0,26% na primeira prévia de junho, apresentou a menor taxa desde julho de 2006, quando o IPC-M caiu 0,28%. Por fim, o INCC-M, que registrou aumento de 2,18% em sua primeira prévia de junho, também mostrou inflação intensa e teve a maior taxa desde junho de 2008, quando houve alta de 2,72% na primeira prévia do INCC-M.

No atacado, minério de ferro sobe mais de 75%

Até a primeira prévia do IGP-M de junho, o IPA registra aumentos acumulados de 8,62% no ano e de 7,18% no período de 12 meses - o IPA representa 60% do total do indicador.

De acordo com a fundação, os preços dos produtos agrícolas no atacado acumulam taxas positivas de 5,60% no ano e de 0,64% em 12 meses, até a primeira prévia do IGP-M de junho. Já os preços dos produtos industriais no atacado mostraram altas de 9,57% no ano e de 9,36% em 12 meses, até a primeira prévia de junho.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais acumulam aumentos de 3,54% no ano e de 3,61% em 12 meses até a primeira prévia do IGP-M de junho. Já os preços dos bens intermediários subiram 6,00% no ano, e avançaram 5,88% em 12 meses, até a primeira prévia do mês. Por fim, os preços das matérias-primas brutas registram aumento de 20,25% no ano, e acumulam alta de 13,97% em 12 meses, até a primeira prévia anunciada nesta sexta.

Segundo a FGV, entre os produtos pesquisados no atacado, as altas mais expressivas no atacado no âmbito da primeira prévia do IGP-M de junho foram registradas em minério de ferro (75,25%), destaque absoluto na inflação atacadista; farelo de soja (12,89%); e leite in natura (5,46%). Já as mais expressivas quedas de preço no atacado foram apuradas em açúcar cristal (-18,19%); cana-de-açúcar (-4,35%); e batata-inglesa (-22,12%).

Alimentos levam a deflação no varejo

No varejo, o IPC acumula avanços de 3,72% no ano e de 4,93% em 12 meses, até a primeira prévia do IGP-M de junho - sendo que IPC representa 30% do total do IGP-M.

Segundo a FGV, o retorno à deflação na taxa do IPC, da primeira prévia do IGP-M de maio para igual prévia do mesmo índice em junho (de 0,41% para -0,26%) foi influenciada principalmente pelo comportamento dos alimentos, que voltaram a cair de preço no período (de 0,43% para -1,52%). Isso porque houve quedas e desacelerações de preços em hortaliças e legumes (de -0,29% para -7,27%), laticínios (de 1,89% para -0,49%) e carnes bovinas (de 1,11% para -1,06%).

Outras cinco classes de despesa, além de alimentação, apresentaram queda ou desaceleração de preços, no mesmo período. É o caso de habitação (de 0,50% para 0,41%); saúde e cuidados pessoais (de 0,87% para 0,37%); educação, leitura e recreação (de 0,06% para 0,03%); transportes (de -0,06% para -0,21%); e despesas diversas (de 0,17% para -0,08%). O único grupo a apresentar aceleração de preços no mesmo período foi o de vestuário (de 0,72% para 1,12%).

A FGV informou ainda que, entre os produtos pesquisados no varejo, as altas de preço mais expressivas na primeira prévia do IGP-M de junho foram registradas em tarifa de eletricidade residencial (1,32%); cebola (9,65%); e condomínio residencial (0,89%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em batata-inglesa (-20,36%); tomate (-9,97%); e açúcar refinado (-6,05%).

Construção Civil acelera com mão de obra mais cara

Na construção civil, o INCC acumula elevações de 5,71% no ano e de 6,74% em 12 meses até primeira prévia do IGP-M de junho - o INCC representa 10% do total do IGP-M.

De acordo com a fundação, a forte aceleração na taxa do INCC, da primeira prévia de maio para igual prévia em junho (de 0,55% para 2,18%) foi influenciada por taxa de inflação mais forte nos preços de mão de obra (de 0,41% para 3,57%) no mesmo período.

Na análise de preços por produtos, as altas de preço mais expressivas na construção civil, na primeira prévia deste mês, foram registradas em ajudante especializado (3,62%); servente (3,56%); e pedreiro (3,63%). Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em pias, cubas e louças sanitárias (-1,15%); ferragens para esquadrias (-0,12%); e massa corrida para parede - PVA (-0,26%).

Fonte: Estadão

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